Inevitável

O grito da torcida, a comemoração do gol, os xingamentos ao árbitro, a cera nos minutos finais da partida são coisas inevitáveis no futebol, assim como a decepção e o fato de que ela nunca vai durar para sempre. Mas há algo tão inevitável quanto tudo isso: o encontro da alma de um jogador com as cores de um clube.

Max próximo ser o maior artilheiro da história do América (Canindé Pereira/AméricaFC)

Não há um clube de futebol no mundo que não tenha seus ídolos. Alguns, o são, por um gol específico que garantiu uma conquista especial. Outros por um histórico de vitórias e taças erguidas. E, claro, aqueles que deixaram um legado na trajetória da instituição.

Ser o melhor jogador, o mais habilidoso, o mais carismático não são condições indispensáveis. O contato entre a camisa e o jogador tem lá sua mística inexplicável. As cores, que para muitos serão só mais algumas ao longo da carreira, se tornam parte da pele daquele atleta, uma tatuagem que poderá ser encoberta, no futuro, por outros tecidos, mas dificilmente por outras cores.

Esses encontros são inevitáveis e criam laços eternos entre o coração do torcedor e o atleta. O jogador não se torna imune às críticas, mas elas dificilmente sobrepujarão o sentimento maior que une corpo e arquibancada numa simbiose que ciência alguma é capaz de justificar. Ela simplesmente acontece.

Ou vai dizer que alguém imaginaria, em 2006, que o centroavante Max se tornaria um dos maiores ídolos da história do América de Natal? Se disser que previu, então você é sim um visionário. Qualquer ser humano em condições normais de temperatura e pressão, dificilmente apostaria naquele gigante, de olhar duro, poucas palavras e baixa mobilidade como o heroi de uma nação inteira.

Mas a vida acontece de maneiras improváveis. No futebol, então, o imponderável possui uma capacidade sobrenatural de surpreender e transformar o desconhecido em algo digno de idolatria, de amor, de admiração. A relação de Max e o América de Natal é mágica. Uma mística reforçada jogo a jogo. E o último duelo, inclusive, o deixou próximo de um feito capaz de colocá-lo de vez no panteão de divindidades abençoadas pelo Dragão Alvirrubro.

O “Homem de Pedra” pode se tornar, ainda nesta temporada, o maior artilheiro da história do América. Ao todo, são nove temporadas com a camisa rubra e 77 gols marcados entre idas, vindas e conquistas em que foi protagonista. Contra o Serrano-PB, na estreia americana na Série D do Brasileiro de 2020, assinalou quatro gols e ficou a apenas nove de superar o atacante Helinho, dono de 85 pelo time potiguar.

Com cinco partidas oficiais garantidas para disputar este ano – além de um eventual mata-mata, alcançar a marca parece questão de tempo. Ascender ao topo da artilharia da história americana é uma conquista única para o currículo de um atacante, mas a verdadeira vitória da carreira de qualquer jogador é ganhar a admiração de uma grande nação.

Não conheço ou consigo imaginar mérito individual maior. Para alguns, é o protagonismo nas grandes conquistas que garantirá isso. Mas há aqueles que simplesmente nasceram para tal. Uma alma pronta para ser gêmea de outra – ou de outras. Um destino inevitável. Como toda história de amor…

Em campo

O centroavante Max terá, já neste sábado (11), a oportunidade para diminuir ainda mais a distância para Helinho na luta pelo topo da artilharia americana. O time encara às 17h, na Arena das Dunas, o América-PE. O confronto será a estreia da equipe potiguar, em Natal, nesta Série D. Na largada da competição, os rubros golearam o Serrano-PB. O árbitro cearense Glauco Nunes Feitosa comanda a partida.

Por sequência

Quem também estará em campo nesse fim de semana é o Globo, de Ceará-Mirim, que tenta engatar uma sequência de vitórias na Série C do Campeonato Brasileiro. Após perder na estreia por 2 a 0 para o Imperatriz-MA, o time venceu o Confiança-SE em casa e terá nesse domingo (12) o Sampaio Corrêa-MA como adversário. A partida acontece às 17 horas, no estádio Barretão, casa da Águia.

Equilíbrio

Se há algo que o torcedor abecedista sonha para a temporada é equilíbrio. Nesse domingo, os Alvinegros terão um desafio importante em busca de realizar essa ambição vinda das arquibancadas. Nesse domingo, será a vez de enfrentar o Confiança, no Batistão, em Sergipe. A equipe é, atualmente, lanterna do grupo A da Série C sem um ponto sequer conquistado.

Doutor da bola

O médico do América-RN, Maeterlinck Rêgo, lançou a biografia “Doutor no Futebol e na Vida”. O livro é baseado no depoimento do médico ao jornalista Rubens Lemos Filho. A publicação traz a trajetória desde as peladas da infância aos 48 anos de história e conquistas pelo América, com destaque para a Copa do Nordeste em 1998 e os acessos à Série A do Campeonato Brasileiro em 1996 e 2006. A contracapa do livro é assinada pelo médico José Luiz Runco, pentacampeão mundial pela seleção brasileira em 2002.

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