A culpa é nossa

Ouvi dia desses que as críticas mais ferrenhas que fazemos a algo ou alguém são justamente pelo fato de depositarmos uma grande expectativa sobre tal. Pensei um pouco sobre. Nós odiamos ser decepcionados e, quando isso acontece, o alvo da decepção é completamente responsabilizado e motivação para todas as críticas possíveis e imagináveis.

Talvez, por isso, somos tão cruéis com jogadores de futebol e clubes do coração. Se um dia oferecemos tanta paixão e admiração por eles, é porque fomos seduzidos. Seja pelo talento promissor, pelas jogadas impossíveis, por liderarem conquistas improváveis ou por serem a representação daquilo que nos faz sentir o futebol como sangue corrrendo nas próprias veias em tardes de domingo ou noites de quarta-feira.

Um flerte, normalmente iniciado na infância, sob a companhia de pais, avós ou amigos. Um primeiro contato tímido, mas que precisa de um breve estalo, um gesto, um gol, lance, para despertar essa veneta, esse acesso súbito de loucura e que nos acompanhará pelo resto da vida. Um relacionamento que parece inquebrantável, mesmo sob forte pressão.

Por isso, não aceitamos a ausência de retribuição integral a esse sentimento. É inadmissível que alguém que amamos tanto, em quem confiamos parte da nossa alegria, a quem entregamos muito do nosso tempo, possa causar tanta frustração e tristeza. Um diamante que brota no coração do recém-nascido torcedor, sem arestas. Para muitos, eterno. Prisão que nos faz ser yin e yang, amor e ódio, mas da qual não podemos fugir ou sequer desejamos nos libertar.

A reflexão vem após assistir a um grupo de amigos debater a atitude do atacante Neymar após a perda do título da Copa da França com o PSG no último sábado (27). Após ser criticado por um torcedor quando caminhava para receber a medalha de prata da competição, ele deu um soco no homem e seguiu. Horas depois, ele comentou num post de um assessor que defendia a atitude: “Estou errado? Estou! Mas ninguém tem sangue de barata.”

Não foi a primeira, nem será a última decisão equivocada do talentoso, porém polêmico jogador. Dias antes, ele já havia sido suspenso por três partidas da Champions de 2020 por críticas em rede social a um árbitro. Foi duramente alvejado durante e após a Copa do Mundo de 2018 ficando taxado como “cai-cai”. Tantas e tantas outras oportunidades em que esperávamos algo dele, mas não recebemos.

A culpa é nossa. Esperamos demais dos nossos craques no campo de futebol. Neymar é um jogador excepcional, um ídolo na acepção mais pura da palavra. É um atleta intensamente admirado, venerado pelo que faz com a bola. Se resumissemos ao que ele é capaz de fazer em campo, seu tamanho é incontestável. Mas não é suficiente. Nunca é.

Aqui, não há intenção alguma em advogar em favor do jogador e de suas atitudes, muitas vezes, infantis. Ele tem lá sua parcela de responsabilidade sobre o que cativou em nós, diria o francês Antoine de Saint-Exupéry se assistisse ao brasileiro desfilar seu futebol na França ou aonde quer que fosse. Os erros precisam ser punidos, seja com nossa indiferença e a perda da nossa admiração, seja formalmente pelas instituições as quais o atleta representa.

Por outro lado, é fato que exigimos dos atletas, comportamento de super-herói. Retilíneo, perfeitos, intransigente com seu talento e sua postura – em campo e fora. Não podem falhar. Não podem errar. Não como nós. Não há frequência permitida para que eles nos decepcionem. Eles devem ser a idealização, a projeção da perfeição que almejamos para si mesmos, capazes de superar, realizar, vencer sempre.

No fim das contas, alçamos pessoas reais, iguais a nós, ao status de ídolo. E isso, meus amigos, é culpa nossa. Sobre isso, ainda que haja um laço intangível entre nós e eles, ainda há o que fazer. É aceitá-los em seus talentos, defeitos, em sua própria humanidade ou partir em busca de um novo amor, como fazemos na vida real. Eles continuarão sendo eles, assim como nós.

Dono do craque

O ABC é dono do maior número de craques das oito edições do Prêmio Craque Potiguar. Desde que a premiação começou a ser realizada, em 2012, o alvinegro da capital conquistou metade delas, com Kayke, Nando, Gegê e Fessin, consecutivamente. As três primeiras edições foram dominadas pelo América de Natal com Fabinho, Cascata e Arthur Maia, respectivamente. A última edição, a deste ano, foi vencida pela primeira vez por um jogador de uma equipe do interior, com o artilheiro e atacante Jefinho, do Potiguar de Mossoró.

Deu ruim

A estreia do Globo, na Série C do Campeonato Brasileiro, não foi nem perto do esperado pela torcida de Ceará-Mirim. O time acabou derrotado por 2 a 0 pelo Imperatriz-MA em jogo realizado no estádio Frei Epifânio d’Abadia. Na próxima rodada, o Globo joga em casa, contra o Confiança-SE, as 17h. O Impeartriz enfrenta o Náutico, em Pernambuco, as 19h15. Os jogos serão no próximo sábado (4).

E.T

O craque Lionel Messi conquistou no sábado (27) o 10º título espanhol com a camisa do Barcelona e se tornou o jogador com mais conquistas do nacional na história do clube. Agora, o argentino está apenas a dois do recordista de títulos na Espanha: Paco Gento, ídolo do Real Madrid, conquistou 12 títulos espanhóis. Se levar em conta as cinco principais ligas nacionais da Europa (Espanha, Inglaterra, França, Itália e Alemanha), Messi está atrás apenas de Giggs, que faturou 13 títulos nacionais com o Manchester United, e Scholes, que venceu 11.

Grande Círculo

O Grande Círculo, exibido no último sábado (27), no canal SporTV, trouxe uma entrevista histórica com o narrador Galvão Bueno. Assuntos polêmicos, as histórias do futebol e da Fórmula 1 narradas sob seu ponto de vista, o que faltou em sua carreira e a relação com colegas de trabalho e o público. Um programa imperdível e que merece ser visto e revisto. O programa está disponível na íntegra no GlobosatPlay, serviço para assinantes dos canais SporTV.

Imparável

A Mercedes está imparável na Fórmula 1. Neste domingo, Valtteri Bottas liderou a quarta dobradinha seguida da equipe alemã na temporada. Hamilton terminou em segundo lugar. A nova dobradinha das Flechas de Prata marca o melhor início de uma equipe na história da categoria, superando as três dobradinhas seguidas da Williams em 1992.

Um comentário sobre “A culpa é nossa

  1. Muito desmistificadora a entrevista de Galvão Bueno. Mostrou-se bem mai simples e arrogante do que aparenta. A última atitude dele que presenciei e que comecou a tirar essa impressão ruim foi em 2016 ao vê-lo cruzar uma passarela entre o padock e a arquibancada no final do retão de Interlagos, foi reconhecido pela torcida e parou para cumprimentar a todos com simpatia e alegria.

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