Torcida no comando

A demissão de treinadores no Brasil não é novidade alguma. No domingo, minutos após a perda dos títulos estaduais, Vasco, Ceará e Goiás demitiram seus respectivos treinadores sem qualquer cerimônia. Uma mostra clara do quanto a emoção tem dirigido decisões de cartolas do futebol brasileiro. Das três, a do cruzmaltino Alberto Valentim chamou atenção em razão das declarações do presidente do Vasco, Alexandre Campello.

“A partir do momento em que existe uma pressão muito grande, que de certa forma até põe em risco a integridade do treinador, e a partir do momento em que a gente começou a entender que essa pressão começou a atingir os jogadores. Enquanto a pressão era só em cima da direção, nós mantivemos, entendendo que o trabalho que ele tem feito é um trabalho muito bom. (…) É um excelente treinador, mas lamentavelmente a paciência da torcida não é a que a gente deseja”, disse o cartola após o anúncio da decisão pela saída de Valentim.

Imagine só. De forma clara e direta, o dirigente não só mostrou uma profunda falta de convicção, como deu à torcida total poder sobre as decisões tomadas no clube. A pressão vinda das arquibancadas, redes sociais e no dia a dia do Vasco foi o argumento principal para promover a saída do treinador.

É verdade que Valentim estava longe de fazer um grande trabalho. Do início da temporada, até aqui, os vascaínos viram sua equipe perder competividade até chegar as finais do Carioca e ser dominado pelo poder de fogo e time milionário do Flamengo. Contudo, a justificativa dada pelo dirigente é perigosa e abre um precedente preocupante quanto aos rumos que o time da colina seguirá ao longo de 2019.

Pressão da torcida e futebol são irmãos nascidos de um mesmo ventre e andam de mãos dadas desde sempre. Imaginar que a autonomia institucional será delegada à euforia das arquibancadas é ameaçar o equilíbrio e o futuro dos clubes. O torcedor é fundamental para a instituição, precisa ser ouvido, mas não pode ser o senhor do destino. Ele é passional. De oito a 80, o torcedor vai em ritmo de Fórmula 1. Os clubes, por outro lado, precisam de bom senso, estabilidade e planejamento para que o trabalho se desenvolva em médio prazo em busca dos objetivos.

A defesa não é pela permanência incondicional dos treinadores, apesar de todos os pesares. A defesa é para que os clubes alcancem maturidade administrativa e compreendam que pensar o futuro é responsabilidade exclusiva e intransferível de suas gestões. Vencer não pode ser o objetivo pelo objetivo, precisa ser consequência da organização.

Não há atalhos para ser tornar uma agremiação historicamente vitoriosa. Só um time pode levantar a taça na temporada. Isso não significa total fracasso do projeto. Alcançará a grandeza aquele clube que conseguir ano após ano, mostrar força, criar identidade com a torcida e consolidar sua competitividade. Inevitavelmente, virão as vitórias e os títulos, independente de quem seja o treinador.

Tri sensato

O técnico tricampeão paulista pelo Corinthians, Fábio Carille mostrou bom senso ao avaliar o desempenho da equipe ao longo da competição. O treinador admitiu que a conquista, das três comandadas por ele, foi a que o clube menos mereceu. De fato, o futebol do Timão mostrou-se pragmático e até sonolento. Para história, entra o resultado. Mas quem vai a campo, quer comemorar gol, vitórias e, claro, assistir a um bom futebol. Bola dentro do Carille em reconhecer as deficiências e querer crescer.

Maior público

ABC e América se reencontram nessa quarta-feira (24) para decidir na Arena das Dunas o título de campeão potiguar de 2019. No primeiro jogo da decisão, o 0 a 0 no estádio Frasqueirão teve apenas 8.108 testemunhas. Para o jogo de volta, a expectativa é para um público bem maior, inclusive com a possibilidade de recorde do clássico na Arena das Dunas. Para se ter uma ideia, até o fim da tarde de segunda-feira, mais de 12 mil ingressos haviam sido vendidos.

Recorde

O maior público do duelo no estádio potiguar na Copa 2014 foi justamente esse ano, na vitória dos alvinegros, de virada, por 2 a 1, na final do 1º turno do Estadual: 18.739 pessoas presentes. A expectativa da diretoria americana é que o público esteja entre 20 e 25 mil presentes. O site da Arena mostra a disponibilidade de 31.375 lugares para a partida.

Regra do jogo

E o companheiro de imprensa, Mallyk Nagib, levantou uma polêmica em seu perfil no Twitter ao propor ao América, mandante da partida desta quarta, abrir a venda com a divisão meio a meio da carga ingressos entre anfitriões e visitantes. O acordado – e que vigorou no primeiro confronto foi de 20% da carga de ingressos para o clube de fora. Seria bonito ver o estádio dividido e com lotação máxima, mas a regra do jogo tem que valer até o fim.

Fato

Contudo, a grande procura de ingressos pela torcida do ABC tem feito a regra sofrer uma leve adequação. Após esgotar os bilhetes para o setor Norte da Arena das Dunas, foram liberados ingressos também para o setor Noroeste do Alvinegro, num total de 5.830 ingressos para a torcida do ABC, o que naturalmente já ultrapassa a cota de 20%. Se somar os alvinegros que devem adquirir ingressos para o setor Premium – que recebe as duas torcidas -, a divisão deverá estar próxima da proporção de 70%/30%.

Bastidor movimentado

Os bastidores da política americana começam a esquentar. Uma foto com os ex-presidentes Alex Padang, Clóvis Emídio e Hermano Morais ao lado de outros ex-dirigentes rubros tem circulado na internet nos últimos dias e chamado atenção, especialmente pela frase na imagem: “Estou na foto com o futuro presida”, escreveu. O próprio Padang tem se mostrado mais ativo quanto ao assunto futebol e América, opinando, ao menos nas redes sociais, nos assuntos relativos ao clube. Uma coalizão para tentar assumir o comando do time rubro parece estar a caminho…

2 comentários sobre “Torcida no comando

  1. Excelente e oportuno comentário com relação a rotatividade de técnicos e ao poder que passam a torcida, por isso me distanciei do futebol.
    Sou do tempo em que quem mandavano clube era o Presidente Dilermando Machado. Faz tempo! Kkk

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  2. Pra mim o ex treinador do Vasco fez o que estava ao alcance dele , sem grandes nomes no elenco foi até muito longe . Creio que ele deveria continuar seu trabalho , e ter jogadores de peso a seu uso , contratar seria melhor que demitir nesse momento .

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