Viado ou Bicha?

O futebol, sem dúvida, é um dos esportes mais democráticos já inventados. Não é preciso muito para iniciar uma partida. Um campo de terra, uma bola de meia e chinelos posicionados como traves transformam qualquer terreno baldio em arena.

Mas ainda há muito para esse sentimento de democracia quanto à essência do futebol ser, de fato, real. Explico. Você se lembra de alguma vez ter ido ao estádio e não ter ouvido algum jogador ser chamado de “viado” ou “bicha”? Consegue escalar um time inteiro de jogadores declarados publicamente homossexuais ou de mulheres? Consegue completar uma mão de jogos assistidos de futebol feminino?

Parece bobagem, não é? Mas está longe de ser. É opressão mesmo de um esporte que ainda é puramente machista e possui ares de profunda toxicidade. É o esporte proibindo ou tornando tarefa herculea as pessoas serem quem são. Oprimindo algo que é parte delas. Violentando as essências.

Para simplificar ainda mais. Imagine um canhoto ser obrigado a deixar de usar a mão ou a perna esquerda. Ou talvez calar a arquibancada porque o som emitido por ela é desagradável. Ou até tirar a bola do jogo para evitar que alguém receba uma bolada.

No Brasil, em 2018, foram registrados 420 assassinatos de LGBTI+ brasileiros, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB). Em 2017, foram 445 óbitos. Na sociedade, o debate sobre o tema tem se difundido, mas no futebol, ele é especialmente marginalizado.

Para mudar o cenário, é preciso uma participação mais consistente daqueles que fazem o futebol. Não restrito às organizações e federações, mas os personagens do jogo. Aqueles que levam os torcedores ao estádio para apreciar o espetáculo do futebol. A democracia, o acesso de todos, é sim um sonho. Para muitos, ainda preto e branco. Que tal dar cor a eles?

Top 6

Segundo a Folha de São Paulo, o Brasil é o sexto em ranking de países mais multados pela Fifa por homofobia. Apenas durante as Eliminatórias da Copa, a CBF foi punida num valor total de R$ 336 mil.

Inclusão

Para tentar promover a inclusão, torcidas em todo o país têm se organizado através das redes sociais para levar aos estádios um público mais diverso. O público LGBTI+ tem se organizado, por exemplo, com o GaloQUEER, Palmeiras Livres, Bambi Tricolor, dentre tantos outros pelo país em busca da oportunidade de viver a paixão pelo futebol em paz.

Brazica

A Vice disponibilizou no final de 2018, em seu canal no Youtube o documentário Bicha! para falar sobre as manifestações de ódio praticadas dentro e fora dos estádios de futebol contra o público LGBTI+. (Clique aqui para assistir)

Pauta social

“Vou desde pequeno [aos estádios] e amo futebol, apesar das coisas erradas que o cercam. A homofobia é uma delas. Percebi que no futebol há bastante campanha sobre pautas sociais, mas a homofobia parece ser um tabu absurdo ainda…”, dise Murilo Megale, host e criativo da VICE em entrevista à TODXS. Ele é o diretor do documentário Brazica.

France Football

Para encerrar, a revista France Football traz em sua edição mais recente uma capa com Messi e Cristiano Ronaldo abraçados, trocando um caliente beijo com um questionamento escrito em francês: “Você é Messi ou Cristiano Ronaldo?”. A arte da capa da revista é do artista italiano Tvboy, uma releitura inspirada no famoso beijo entre Leonidas Brezhnev e Erich Honecker, então líderes da União Soviética e da Alemanha Oriental.

Pra pensar

A ilustração de capa da revista francesa não chama para uma reportagem sobre homofobia, mas provoca uma indagação se olharmos mais de perto. Se Messi ou CR7 fossem gays assumidos, será que teriam, mesmo com toda excelência de seu futebol, chegado aonde chegaram?

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2 comentários sobre “Viado ou Bicha?

  1. Parabéns, Bruno.
    O assunto, como quase tudo hoje em dia, é tratado como mimimi, como querer polemizar.
    Mas temos que falar mais e mais sobre isso.
    Acharam bonito a moda Mexicana de a cada tiro de meta gritarem PUTO pro goleiro adversário e conseguiram piorar aqui.

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  2. Otimo comentanrio sobre o palpitante tema. Futebol, basquete, voleibol, natacao dentre outras modalidades esportivas envolvem variados tipos de pessoas que praticam seus esportes e seus gostos preferências por sexo. Quando fui Juiz de Furebol, me defrontei com jogadores (e jogadoras) que tinham (e tem) gostos diferentes. Sexo é uma preferencia unipessoal que deve ser respeitada. O resto é papo e malabarismo.

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